terça-feira, 29 de janeiro de 2013








Viagem pra Eternidade...


Quisera o destino ser assim, como uma explicação sem fim, escolher um cenário onde a maior parte do tempo é coberto por gelo, ser agora invadido por uma fumaça obsessiva vinda de um fogo que queima a alma...
Quisera esse mesmo destino escolher que esse mesmo cenário tivesse o dignissimo nome da Virgem e Santa Maria para que a mesma acolhesse cuidadosamente cada uma de nossas crianças.
Quisera ainda que este mesmo cuidado tenha tido com cada órfão aqui deixado, pais e mães, tios e tias, avos que se entender a lógica de não ter ido antes questiona os porquês de um infinito e imensurável  sobrenatural.
Amigos que foram juntos mais aqui ficaram que perderam varias partes de si mesmo dentro da mesma fumaça.
Namoros inacabados, faculdades interditadas, obras deixadas de lado, livros com marcadores sem chegar aos fins, agendas adiadas pra quem sabe serem concluídas em outra ocasião.
Santa Maria, terra de gente forte, que aqui chegaram e aqui ficaram, plantaram suas sementes e observam sem entender seus frutos partirem sem se despedirem.
Um sábado, uma boate, um encontro, uma viagem...
Viajaram agora com um destino certo, o coração de cada um de nós.
Em meio a dor, a angustia, e as lagrimas, atravessaram sem entender  a cortina de fumaça para a eternidade, crianças que saíram de nós, crianças que se divertiam, olhos verdes, peles claras, sorrisos perfeitos e uma mesma eternidade a ser vivida.
E pra quem fica? Sobraram lhes os olhares serenos ,as musicas, os novos astros e os novos ensinamentos, de onde buscar forças?
Vão chegar explicações pras causas subjetivas, vamos tomar novos cuidados, novas medidas, vamos agora verificar  portas e janelas, extintores e todas as sucessões de erros que o mesmo destino foi capaz de juntar.
Os engenheiros, os psicólogos, antropólogos, sociólogos, vão sugerir, vão explicar, vão espernear, vão reivindicar, mas pra essa viagem de nada mais vai adiantar.
Deixaram em casa as roupas e as malas, como se já fossem voltar.
Quem sabe não foi isso, e nos resta  esperar, pra que essa mesma viagem possa alcançar, uma próxima mesa de bar, onde os olhos irão brilhar em cada assunto que tocar.
Vamos esperar pra que essa viagem chegue aos sofás, cheguem às lareiras, cheguem às violas, cheguem às cuias de chimarrão e invada sem pedir permissão ao mais pobre coração, de um pai de uma mãe e de um irmão.
Talvez tenham ido perto ou quem sabem ainda ido pra  longe, talvez demorem um pouco pra nos reencontrar, mas pra que tanta pressa...deixemos eles descansar, pegar no sono enquanto viajam e não mais nos preocupar, vamos manter as portas abertas sem as chaves pra trancar, pra que a qualquer momento voltem e nos encontre a esperar.

Mas pra que nos preocupar com a pressa ou ainda com o destino se o bom mesmo é viajar?
Vamos transformar nossas lagrimas em sorrisos, pra que eles possam descansar, e antes mesmo que o dia acabe possamos nos reencontrar.






Um comentário:

  1. Oi Anderson! estou pro aqui!! Lendo seus textos!!! Parabéns pelo Blog

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