quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Afinidades ...



O Universo obedece à lógica, e em cada tempo estabelece seus próprios sentidos e direções.
Encurta as distâncias, causa novas sensações, depois repete de outras formas as boas sensações já vividas antes.
Em sua própria orbita reorganiza cada ser, em seu modo, em seu tempo e em seu devido lugar.
Às vezes esperneamos, criamos casos, sentimos saudades, e ficamos de mal por uma leve sensação de ausência.
Bobagem... Pois Deus se encarrega de tudo, coloca pessoas boas em nossas vidas, retira as ruins e chamamos isso de afinidade.
Então a Vida sincroniza os caminhos, e numa logística quase que mágica nos coloca frente a frente, nos presenteia com uma nova oportunidade de conhecer novamente quem a gente já conhecia.
Reparamos que somos os mesmos, porém um pouco mais pesados, os mesmos porém agora casados, somos os mesmo porém agora com filhos, somos os mesmos porém agora formados, somos os mesmos porém agora barbados, aqueles mesmos que ainda a pouco eram ausentes porém agora experientes, somos os mesmos velhos mais ainda jovens, somos os mesmos só que agora usados, porém lavados, enxugados e reciclados.
Somos os mesmos meninos, mas agora mais responsáveis, viramos eletricistas, químicos, cantores, administradores, aprendemos a fazer compras, a cozinhar, aprendemos sobre economia, sobre política, viramos mestres em TPM, aprendemos a aceitar que o tal do cara que apresenta o jornal nacional é charmoso sim e daí... Aprendemos, mas dessa vez com não tanta eficiência, a nos despedir momentaneamente de entes queridos, conseqüentemente aprendemos a valorizar ainda mais um longo e forte abraço.
Somos isso, um emaranhado de ações e sentimentos, que se desentendem que não torcem pro mesmo time, que se atrasam, que perdem à hora, que trocam amigos por mulheres, que perdem gols feitos, que não sabem beber e bebem, somos seres cheios de erros,um rápido, um lento, um alto, um baixo, um feio, um horrível, um pobre e o outro também.
Porem nobres...
Por encurtar as distâncias...
Conviver com as diferenças...
E... Fazer isso tudo valer à pena.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Rio Cidade Desespero.

O que esperar de um País, onde o honesto é taxado de “trouxa”?
Onde a moda é ser “malandro”?
Um País que tem um estado paternalista que cuida” muito bem das tuas coisas enquanto você se diverte vendo a programação da tv?

O que esperar de um governo que não investe em educação, com segundas e terceiras intenções de trocar seu voto por uma cesta básica, já que pra isso não precisa pensar, assim como fizeram dias atrás com nossos ingênuos indiozinhos.

O legal disso tudo, se é que tem “legal” nisso tudo, é que a noticia vem como uma surpresa.
Logo vira manchete, e vende revista, e vende jornal e a mídia se esbalda de tanta informação a ser transformada em dinheiro.

O mundo inteiro é pego de “surpresa” como se fosse uma explosão de mais um coquetel molotov arremessado ao um blindado que seguia seu itinerário rumo as casas de papelão, só que dessa vez não era mais a casa de um dos três porquinhos.

Que “surpresa” que nada, surpresa pra eles que não se alojam lá, na vila cruzeiro, no complexo do alemão, na rocinha, e nem são vizinhos da Crackolandia.

Tudo já estava escancarado que ia dar nisso e a gente aqui nem precisava de Nostradamos ou da Mãe Diná.

Será mesmo que pra “eles” seria interessante acabar com isso, acabar com as drogas e principalmente com as falcatruas?

O problema é saber realmente quem são esses “eles”

Ate assisto o seriado apresentado pelo casal mais Charmoso da tv brasileira antes da novela com meu filhinho do lado acompanhado a uma suculenta bacia de pipoca, mas torcendo pra que ele não me pergunte quem é o mocinho ali do seriado.

As pessoas de hoje se preocupam com que tipo de mundo vai deixar pros seus filhos e nunca pensam em que tipo de filhos vão deixar pro seu mundo.

Se você acha que não pode vencê-los esta enganado.

A melhor forma é não usar a droga, cai a procura, aumenta a oferta e assim quem sabe eles teriam que trabalhar.

Cuide de você, não use e incentive a ninguém usar.

O que nos resta é deixar esses incêndio acabar, torcer pra que os fuzis do exercito não esteja mês que vem nas mãos de nossas crianças, e esperar que esse incêndio que começou logo ali a 30 anos atrás acabe logo.

Não adianta legalizar, ou repreender, não adianta passar a mão na cabeça do coitadinho e nem fuzilar os aviõezinhos do trafico de 9, 10, 11 anos.

Cabe a nós, não usar essa porcaria, esta ai escancarado às conseqüências...
Sem contar o estado de saúde dos usuários, hospitais lotados, famílias destruídas...
O financiamento de tudo isso esta em nossas mãos, não espere que o governo faça isso por você, Isso é problema nosso, cuide-se, cuide também dos teus filhos, não financie nossas crianças e muito menos “eles”.Seja lá quem forem “eles”, traficantes a milícia a policia.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Um tal Salto Quinze.

Traços desenhados a mão, curvas, cheiros, essências... Não acaba ai...

Existem mulheres e existem “ MULHERES”...

As primeiras no minúsculo mesmo, entende - se por:

Um ser sobre um salto 15, um cabelo tratado em laboratório, uma boca vermelha, um cheiro que faz adormecer...

A outra, é a da essência, das letras em maiúsculo,

Essa, que primeiro aprende a olhar... Depois serenamente aprende a ouvir.

Descarta o que não presta, mas leva o que presta pra vida toda.

Passa um ar de tranqüilidade, seu charme vai alem, agrada pelo sorriso, pela presença, pelo tom de voz, te olha e você entende se é pra parar ou pra continuar...

Geram vidas, geram amores, geram flores.

Mudam os dias, mudam as horas.

Faz de um trapo, um vestido fino, e sem ele fica melhor ainda.

Enobrece uma champagne. Faz um vinho seco se tornar suave.

Derretem o gelo, aquecem a alma.

Encurtam e prolongam horários.

Estabelece a velocidade e a intensidade do que quer e quando quer sem perder a pose.

Sua pele é uma espécie de embalagem... Onde foi embrulhada a ternura da lua, o imaginável universo, os sentidos ainda não descobertos, os turbilhões dos mares, os relâmpagos e trovões e a paz intensa de uma garoa, num só ser.

Tudo isso ainda em cima do mesmo salto 15.

Um brinde a vocês... Independentemente do tamanho da letra.

Um brinde pelo simples fato de serem mulheres.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Extensão de um corpo.


Buscamos, corremos, crescemos, melhoramos tudo em prol da perfeição, pra estarmos prontos, pra estarmos aptos, pra estarmos conclusos.
Você cresce e observa seu corpo, o menino engrossa a voz, a menina delicadamente ganha novas formas..., vai se embora à molecagem, passa a adolescência, chega à juventude e colada nela, à fase adulta, e ai?
Ai pronto?
Que pronto que nada, um pedacinho de você, sai de você, e sai assim mesmo, andando e logo falando, e logo também, uns chamam isso de filho.
Mas na verdade é apenas uma extensão do seu corpo que precisava sair, pois não tinha mais espaço ai dentro.
Um pedaço de você, que não se contentava em ficar ali, mas que queria vida própria.
Queria ter hábitos, mesmo que fossem os teus hábitos, mas queria que fossem deles.
Queria agora escolher as cores, queria opinar sobre um sabor de sorvete.
Queria calçar os teus sapatos, entrar em tuas roupas, ter os teus cabelos.
Um pedaço de você, que ainda não sabe ler, que precisa novamente aprender a atravessar uma rua, mesmo uma rua calma, mas era com pressa e de mão dada.
Um pedaço de você, que soletra uma placa e fica contente e te faz contente.
Pois é você tendo a oportunidade de aprender novamente.
De acreditar, que dessa vez, pode sim, ser bailarina, medico ou jogador de futebol.
Então você começa a se transferir, vai ao shoping e não olha mais só um sapato 36, 37, mas também os, 18, 19.
Começa a se interessar por historias em quadrinhos, acha que a Xuxa não é tão chata assim, que o castelo Ratimbum é interessante, e mão suja na parede agora pode.
Começa a escolher shampoo do Mickei ,do Pateta , da Barbie.
Constrói um quarto novo, só que agora azul ou rosa, e se não bastasse, enche o teto de lua e estrelas que brilham.
Depois se surpreende, com tabuadas decoradas, com um caderno surrado, mais cheios de “Muito bom”, “ Ótimo”, “Continue assim”,e porque não um “ Precisa caprichar mais”...
Vai a reunião de pais, mas na verdade pensa que a reunião é pra você.
Preocupa-se agora com o peso da mochila, coisa que nunca tinha reparado antes.
Até começa a pensar... Antes de acender outro cigarro. Tira um pouco o pé do acelerador, (nas curvas)...
Der repente, compra outra camisa do seu time, mas agora tamanho, 2, 4, 6, 8...
Faz amigos na madrugada, mas agora é o tiozinho balconista da farmácia e a menina do caixa quase sempre morrendo de sono.
Fica craque em fazer mamadeira ainda com os olhos fechados.
Já consegue assistir televisão sem som, aprende a língua dos sinais.
Volta ao dentista, ao posto de saúde.
Enche as gavetas com roupas de lã em pleno calor de 40 graus.
Apaixona-se por gelatina colorida.
E de repente eles já não cabem mais no sofá de um lugar.
Quer sentar na frente no carro, escolher a musica e se você deixar escolhe o destino.
Mas são apenas os teus traços em tamanho menor.
Mas vamos deixar que eles pensem que são eles.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Seres inacabados...


Surgimos!
De onde viemos já não importa tanto assim, claro existem lá os laços maternos, o cordão umbilical aquela coisa toda, não podemos tapar o sol com a peneira e dizer que você já não tem nenhum vinculo com sua mãe, seja ela biológica ou adotiva.
Mas você esta “pronto” ou quase pronto, só falta agora interiorizar algumas coisas...
Aprender a atravessar a rua, a andar de bicicleta e tal.
Você esta pronto, tem duas pernas, dois braços, um pulmão pra encher do que bem entender, um belo par de olhos pra enxergar tudo que se alcança, vem ate com um cérebro mal aproveitado pra pensar no que der na telha.
Quer dizer... Basta você fazer suas escolhas, nem o amiguinho da escola, nem o papai nem a mamãe e nem o estado pode ou deve saber o que é realmente melhor pra você. No fundo é você quem decide acatar ou não um conselho.
Podem assoprar no seu ouvido baixinho, dizer que você é lindo ou linda ou dizer que esta cheiroso, mas você sabe disso, pois esta sentindo, podem lhe dizer que o fogo queima mas não podem opinar se você deve ou não se queimar.
Então tudo esta em suas mãos, e nada no outro, nasceu sozinho, tem o poder sobre seu corpo, não precisa de mais ninguém, pois é apenas um único individuo, um único ser, você não é e nunca vai ser dois, não nasceu grudado, não vai levar ninguém consigo quando morrer.
Você come quanto quer, sacia sua sede com a quantidade de água exata, para quando quer parar. Você não pode pedir... Hei você ai, toma um copo d’água ai pra mim por favor. Certo?
Então porque essa busca incessante pelo outro?

*************

Você olha um outro o ser de todos os ângulos e aquilo te agrada, fisicamente, intelectualmente, moralmente e ate carinhosamente.

Mas e daí? Você é você e o outro é o outro.
Um não precisa do outro.

Mas existe uma coisa, por traz do sorriso, por traz de uma cara amarrada, por traz de uma barba mal feita, e um jeans surrado, por trás de algumas horas de atraso, por traz de um batom e uma maquiagem maquiavélica, chamada de essência, impossível de ser enxergada a olho nu, impossível e indecifrável.

É sua essência, a sua matéria prima, aquilo que não é hereditário, que a cor da sua pele ou seu tom de voz não interfere.
A busca de um pelo outro se dá pela essência, você já não se importa pelo modelo do frasco ou pelo design da caixinha, o que lhe interessa é o perfume, a caixa vai mudar, o vidro também, o cabelo também o jeito de falar, de vestir, de calçar, a modernidade e as propagandas vão mudar seu tom, suas roupas, mas não vai conseguir mudar sua essência.
E a individualidade acaba, quando você decifra não a sua, mas sim a essência do outro.

Embora ainda a sua essência você ainda não conheça, mais conhecer a do outro te completa.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Desemprego ?


Segue aqui, um, e porque não dizer, talvez o mais agravante dos problemas sociais.

O desemprego.

Motivo direto pela desestrutura do berço familiar.

Pois o emprego é à base da receita bruta familiar, essa embora desprovida de outros recursos esporádicos, como por exemplo, uma herança ou um prêmio da mega-sena.

(Quem dera acumulada)

Ele ainda assim, abala psicologicamente o ser humano, principalmente quando se trata do “chefe de família”, titulo este aplicado hoje em dia, tanto ao homem quanto a mulher.

Ambos têm por obrigação “moral”, ter um emprego e consequentemente um salário para o sustento da família.

A necessidade faz com que, independa a origem do salário, mas que ele venha de qualquer forma.

Aquilo que se gosta, já não é aquilo que se busca. E aquilo se busca, se te confortar, você acaba gostando. (jeitinho brasileiro).

Mas o desemprego não atinge somente, pai e mãe, e sim toda a hierarquia familiar, desde o chefe, aos subordinados filhos adolescentes, que por sua vez necessitam contribuir com suas parcelas nas despesas da casa e ainda se manterem visíveis no meio em que vive. (Ter o tênis que passa na tv, ou os óculos da mocinha da novela )

O desemprego por sua vez, encarado como problema social não deve ser confundido com a “falta de emprego”, este segundo já seria problema individual.

Pois vimos que na verdade que existe vaga, para a grande maioria, mas exige uma mão de obra qualificada.

O que rege ainda é a lei da oferta e procura a quantidade de vagas ofertadas não condizem com as qualificações dos candidatos, estas variações seguem entre: aptidão física, interesse ou desinteresse, ignorância e experiência.

A vaga existe, e o despreparo o acompanha.


quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Uma vez de cada.


Ta na hora de deixar de ser prego, pra ser uma vez martelo.

Talvez nem tanto assim, ter essa sede de ser martelo, o importante na vida é acordar e deixar ser prego.
Deixar de ser atingido e ficar mudo, ficar ali parado, esperando a outra pancada que cada vez mais te enterra pra dentro de uma peroba sólida.
Reparou que a pancada é sempre na “cabeça”?
É a parte importante pra eles, a parte mais fácil de ser atingida, a parte visível de uma força que vem sempre imposta de cima pra baixo.
Sempre do mais forte para o mais fraco.
Do ágil ao imobilizado.
Você é atingido e cada vez mais torturado.
Aqueles que já não servem pra ser atingido na cabeça, quase sempre é porque já não tem mais a cabeça e geralmente o corpo já está torto ou enferrujado.
Estes são descartados, deixados de lado pra que o tempo que se encarregue do resto.
Há vários tipos de martelo, e apenas um único tipo de prego, na verdade o prego apenas varia de tamanho, mas é sempre o mesmo parasita, que parece ter nascido pra esperar a hora de sair do saco e levar a pancada na cabeça.
Os martelos mudam de lugar, muda de mão, mudam de nome...
Um dia foi chamado de escravidão, depois virou emprego, depois virou política, depois virou crediário, virou ate investimento, depois virou bolsa família, bolsa escola, vale gás, cesta básica, vale leite, vale um pedaço de pão.
Basta apenas a primeira martelada, na cabeça para que você já coloque os pés pra dentro da peroba e ali estacione a vida.
Uma vez isto feito e pronto, já está designado a permanecer dentro da peroba sem poder se quer olhar ao lado, pois está completamente imóvel e alienado.
Um martelo que se preze, sempre escolhe seus pregos, separa os enferrujados e tortos, dos brilhantes, aquecem os por alguns instantes, ate ganha-los para aplicar lhes o golpe perfeito.
Carregam-te no colo no começo, fala ao seu ouvido que você não é torto e não esta enferrujado, em outras palavras, você é o cliente deles.
É o consumidor de amanha, é o bolsista, é a reeleição.
E assim segue a vida, do prego do martelo e da peroba.
A simples matemática do opressor e do oprimido.
Cuidado sempre com a cabeça.
O corpo torto, da se um jeito.
Pra ferrugem existe a lubrificação.
Só não esqueça nunca...
“O prego que se destaca, é sempre o prego martelado”.
Se destacar é bom, mas se esquivar do martelo é ainda melhor.